- Não quero voltar a ser o que era. Quero ser algo que nunca fui. Ainda que não saiba o que isso significa.
15 agosto, 2012
O amor não é cor-de-rosa. O amor é feito de promessas. Promessas e pessoas. As promessas são como algodão-doce, nunca chegam para ficarmos totalmente satisfeitos, felizes. E as pessoas são ao que nos agarramos, com o corpo, com a alma, com tudo. As pessoas estão connosco se também estivermos com elas. É uma seta de dois sentidos. Na maioria das vezes, as pessoas que estão connosco não são as que nos aquecem à noite, as que nos mandam mensagens amimadas com tiradas poéticas, as que nos ligam e dizem o que queremos ouvir, as que nos tiram de casa ao sábado à noite para jantar num restaurante na baixa. Na maioria das vezes, as pessoas que estão connosco são as que nos acompanham todos os dias no autocarro para o trabalho, que nos dizem bom dia com um sorriso rasgado logo pela manhã quando pedimos "um café bem quente, por favor", que nos esperam, seja de que maneira for, e nos dizem sempre "como foi o teu dia?". A seta com dois sentidos. E as pessoas são promessas. As promessas são pessoas. E tudo isto é amor. Pelo menos é o que dizem...
13 agosto, 2012
07 agosto, 2012
- Sinto falta de algumas pessoas e odeio-me por isso.
- Mas de quem é que sentes falta? - perguntou-lhe preocupada.
- De quem já tive e que não quero ter agora. De amigos que, talvez, não foram tudo o que precisei. Sou muito boa a gostar e muito má a esquecer.
- Pois, ser amigo não é mostrar que podemos pagar um copo às quintas-feiras à noite, é dizermos que gostámos, confiantes e seguros, de forma simples e fácil.
02 agosto, 2012
Às vezes temos que fechar um ciclo e iniciar outro. Ainda que não mude quase nada, aos nossos olhos muda tudo. Perdemos umas coisas, ganhamos outras. E se formos apaixonados pelo que fazemos, parece que ficam, sempre, espaços vazios. E é na altura em que sentimos que a vida muda, que procuramo-nos preencher, seja com o que for. Talvez por isso sinta de forma exacerbada a falta que algumas pessoas me fazem. E odeio-me por isso. Ás vezes somos exactamente tudo o que não queríamos. É aqui que tu entras. Consegues com que eu seja um pedacinho melhor. Estar contigo é mesmo o melhor remédio. E terapeuticamente falando, foste a melhor coisa que me aconteceu nos últimos tempos. Sem tirar nem pôr.
28 julho, 2012
25 julho, 2012
19 julho, 2012
Tenho pensado em ti. Não que isso seja algo raro, porque não é. Mas quando as pessoas estão longe de nós damos um valor exacerbado a coisas que perto seriam apenas pormenores. Mas então, porque é que eu me lembro de todos os pormenores do último dia em que te vi? Porque é que mesmo longe, faço tudo como se estivesses perto? Continuo com a estúpida e incontrolável vontade de te contar todos os segundos dos meus dias. Acho que às vezes preciso de me ouvir e é por isso que falo contigo. Talvez aches estranho, mas apaziguas aquilo que faz confusão em mim. Esta semana não te tenho contado todos os segundos dos meus dias. Mas sabes, tenho pensado em ti como se tivesses direito a todo esse tempo. E no fundo, até tens...
06 julho, 2012
"Os amigos cada vez mais se vêem menos. Parece que era só quando éramos novos, trabalhávamos e bebíamos juntos que nos víamos as vezes que queríamos, sempre diariamente. E, no maior luxo de todos, há muito perdido: porque não tínhamos mais nada para fazer. Nesta semana, tenho almoçado com amigos meus grandes, que, pela primeira vez nas nossas vidas, não vejo há muitos anos. Cada um começa a falar comigo como se não tivéssemos passado um único dia sem nos vermos. Nada falha. Tudo dispara como se nos estivera - e está - na massa do sangue: a excitação de contar coisas e a alegria de partilhar ninharias; as risotas por piadas de há muito repetidas; as promessas de esperanças que estão há que décadas por realizar. Há grandes amigos que tenho a sorte de ter que insistem na importância da Presença com letra grande. Até agora nunca concordei, achando que a saudade faz pouco do tempo e que o coração é mais sensível à lembrança do que à repetição. Enganei-me. O melhor que os amigos e as amigas têm a fazer é verem-se cada vez que podem. É verdade que, mesmo tendo passado dez anos, é como se nos tivéssemos visto ontem. Mas, mesmo assim, sente-se o prazer inencontrável de reencontrar quem se pensava nunca mais encontrar. O tempo não passa pela amizade. Mas a amizade passa pelo tempo. É preciso segurá-la enquanto ela há. Somos amigos para sempre mas entre o dia de ficarmos amigos e o dia de morrermos vai uma distância tão grande como a vida."
«Ainda ontem», Miguel Esteves Cardoso.
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