
este tempo parece um bibelô, com dias que não acabam.
a corda tem dado para te dizer o que as palavras não expressam. e chegar a ti não é fácil; primeiro porque não estás perto e depois porque a exigência marca-se em cada um dos nossos dias. sabes, hoje lembrei-me daquela vez que ficamos em casa a devorar gelados de sabor indecifrável. sim, aquela vez que adormeceste ao meu toque, com as expressões mais fofas que tinhas e tens. há coisas que não se esquecem, e sempre vacilaste quando te tocava. não sei que poder me deste, talvez nem tu o saibas. um poder que não se cria sozinho. e eu preciso que me dês corda, para não fraquejar quando as forças teimarem em faltar. preciso chegar a ti, mesmo que tenha que percorrer os caminhos mais árduos. preciso saber se continuas no mesmo lugar onde, um dia, te encontrei. e se estás, de facto, à minha espera. Amor, eu preciso de corda... Amor, eu preciso de ti...

tão perto e, ao mesmo tempo tão longe. sentir o teu cheiro e estares a quilómetros de mim. a falta que as pessoas fazem é esta, e eu sinto, incontrolavelmente, a tua falta. dá-me uma oportunidade de 'te fazer feliz'. e deixa-me sentir o teu cheiro, desta vez contigo bem junto ao meu corpo. tão perto, bem mais de perto.
há momentos estranhamente curtos e dificéis. momentos em que o passado corre à nossa frente, como uma lufada de ar quente, que nos aquece por dentro e nos queima as lembranças. películas de filmes antigos, com fotografias a preto e branco e os amigos que estão lá, foram aquelas pessoas peculiares que mais amamos. é uma lufada de ar quente, que se entranha no corpo e nos revela o que ficou perdido nesse tempo. uma bagagem de uma miscelânea de sentimentos que nunca mais acaba. e depois de abrir os olhos, fica a sensação de que o que precisamos é apenas de uma almofada psicológica.