Beija-me. Faz-me acreditar que existes em mim. Que todo o mundo lá fora não importa mais. Faz-me esquecer os anos que cresceram em nós. E beija-me outra vez. Agarra o silêncio nos meus lábios. Mistura o teu corpo no meu e deixa que eles se encontrem despidos de pudor, em movimentos descontrolados, com a paixão que nunca sentiste. Beija-me o cabelo, as pálpebras, a testa, o umbigo, as pernas. Beija-me sem início-meio-e-fim. Agarra-me e não me soltes mais de ti. Sussurra-me ao ouvido aquilo que temeste dizer-me até hoje. O fado já não espera até ao primeiro minuto do novo dia. Não me deixes ir. Diz-me agora o que sentes, faz-me esquecer de respirar e traça-me a vida para o lado do coração. E enquanto a noite se torna nas cinzas que pisaremos amanhã, só me resta o indelével silêncio e o cheiro pestilento da solidão dos momentos em que não estás aqui. Beija-me que prometo adormecer...
25 março, 2013
19 março, 2013
- Estava com saudades tuas - sussurraste.
Olhei-te e apenas consegui sorrir.
A vida demora mas não falha. E tens razão quando dizes que o mundo lá fora não importa quando estou contigo. Na verdade, nesse momento só tu importas.
Fala-me de ti. Deixa que o teu corpo me fale também. Quero saber onde começam os teus lábios e onde acaba o teu abraço. Quero saber de onde vem o teu cheiro. E perceber exatamente onde é que me perco. Faz-me acreditar que o nosso tempo vai durar mais. Um pouco mais. É que eu não sei se sei ser tudo o que sou contigo sem ti.
E como eu gostava de ter a eternidade para nós, num destino qualquer. Mas hoje o tempo voa, amor...
18 março, 2013
16 março, 2013
14 fevereiro, 2013
07 fevereiro, 2013
Acho que escrevo sobre coisas que não entendo. O que me sobra em jeito com as palavras, peca-me em jeito com quem realmente gosto. E nem sempre sou mais e melhor. Às vezes a naturalidade atrapalha-me. Tropeço na minha própria ingenuidade, na simplicidade com que acabo por pintar aquilo que sinto. Às vezes os detalhes existem e eu não dou conta. E se calhar nunca me tinha apercebido que há detalhes que deixo que passem ao lado. Tudo porque nunca tive ninguém que visse mais detalhes que eu. E se me perguntarem se preferia morrer estúpida, obviamente responderei que não. Os detalhes são partículas curiosas e caricatas que alimentam histórias. E eu quero sabê-los de cor. Quero gastar tempo com eles. Quero que a gente partilhe tudo isso, pacientemente e numa escuta ativa imutável. Quero continuar a escrever sobre ti. E com ou sem jeito, ser mais e melhor. Sabes, a Califórnia é muito longe, se não levava-te lá, meu amor...
17 janeiro, 2013
Perder quem gostamos é perder também pedaços de nós. Não conseguimos compensar a nossa ausência. Ausência de palavras, de afetos e principalmente daquilo que somos. Quando alguém que gostamos parte, sentimos que ficou tudo por fazer, tudo por dizer. É tarde demais. Não há mais tempo. E hoje apercebi-me que há imensas pontas soltas. Mas no meio disto tudo, gostar é, ainda, o mais difícil. Porque quem gosta, importa-se. Porque quem gosta, sofre nas partidas. Há partidas muito precoces, mas só partem mais cedo as melhores pessoas, para irem preparando a festa. Não sabemos até onde podemos viver, mas sabemos que a nossa vida ninguém a pode viver por nós, mesmo que, quando formos velhos, tenhamos perdido muitos pedaços pelo caminho. E as nossas perdas são também o espelho daquilo que somos.
Obrigada por levares um pedaço de mim.
Obrigada por levares um pedaço de mim.
Tiago Gonçalves [1988-2013]
12 janeiro, 2013
Sabes uma coisa? Às vezes penso na sorte que tenho em ti. E nunca chego a uma conclusão. Não sei se te procurei ou se te encontrei. Não sei se realmente sei tudo a teu respeito ou se esse teu lado misterioso me deixa encantada. Não sei se gosto mais do que conheço ou se o que desconheço me faz investir. Não sei se te tenho para me fazeres feliz ou se sou feliz por te ter. Tu confundes-me. Porque na verdade não sei bem até onde posso gostar de ti. Às vezes gostava que discutisses comigo, me magoasses. Porque quero à força toda que sejas real. A tua presença desencaminha-me os pensamentos. E eu agora estou a pensar em ti e tu não estás aqui.
11 janeiro, 2013
09 janeiro, 2013
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