06 abril, 2012


As inquietações das pessoas prendem-se com as suas relações. E as coisas sérias já não existem. As pessoas não se agarram a compromissos.
- Então as pessoas agarram-se a quê?

- Não sei. Elas lá sabem. E tu, a que  te agarras?
- Ao que sinto. Não é o que todos fazemos?

- Não. Às vezes cedemos ao que sentimos.

17 março, 2012

"Não dependemos daqui para a frente de ninguém, quer dizer, o sexo agora implica quase sempre alguém. E ainda bem..."
Há muitos dias em que o mundo faz ferida.

16 março, 2012

Às vezes vivemos a vida num quase: quase sempre, quase tudo, quase nós. Mas não me alimento de quases. Eu não sou metade de ti, nem és metade de mim. Por isso, não quero apenas partes, preciso de ti por inteiro. Somos um todo e não apenas somas dos momentos em que estamos juntos. E sim, hoje dava quase tudo para te ter aqui. Mas a vida não é um meio-termo. A vida é um tempo-inteiro.

06 março, 2012

De todas as vezes que estou contigo olho-te fixamente para assegurar que continuas a ser a mesma pessoa. E eu também. Às vezes demoro a chegar a ti, vou devagar, demoro os passos. Às vezes preciso sentir a distância para dar valor, preciso sentir o sabor antecipado da tua pele. E quando te colas a mim, misturam-se uma data de coisas e não há palavras que cheguem. Gosto muito de falar, de escrever também. Mas quase sempre, não há palavras que cheguem.

05 março, 2012

Nada é errado se te faz feliz - Bob Marley

03 março, 2012


Descobri que sou uma pessoa completamente igual a todas as outras. Tenho o cérebro dividido em dois lados. O esquerdo e o direito. E se a vida faz de nós aquilo que somos, também faz do nosso cérebro exactamente aquilo que ele é. 
Olá, eu sou o lado esquerdo do cérebro. Eu sou um cientista. Um matemático. Eu amo o familiar. Eu categorizo. Eu sou preciso. Linear. Analítico. Estratégico. Eu sou prático e pragmático. Sempre no controlo. Um mestre das palavras e da linguagem. Realista. Eu calculo equações e brinco com números. Eu sou ordem. Eu sou lógica. Eu sei exactamente quem sou. 
Olá, eu sou o lado direito do cérebro. Eu sou a criatividade. Um espírito livre. Eu sou paixão. Saudade. Sensualidade. Eu sou o som das gargalhadas. A sensação da areia debaixo dos pés. Eu sou movimento. Cores vivas. Eu sou a imaginação sem limites. Arte. Poesia. Eu sinto. Eu penso. Eu sou tudo o que queria ser. 
Olá, eu sou a Sara. Sou os dois lados do cérebro. Exactamente os dois. Ao mesmo tempo.

01 março, 2012

Às vezes o amor é curto e deixa mossa. Às vezes as pessoas falam já meio a sonhar. Às vezes amo, outras vezes sonho. E depois também me acontece não amar, nem sonhar. Quando isso acontece não sei bem quem sou. É como se o meu corpo ficasse oco, vazio, despido. E sentir-me nua é estupidamente desconfortável.  Às vezes amo-te, outras vezes sonho contigo. E quando isso não acontecer, ficará lá a mossa e a certeza que estarei despida sem ti.

22 fevereiro, 2012

Hoje de manhã quando acordei, tinha o teu rosto sobre a minha mão. Esta cumplicidade extrema faz-me acreditar que a vida é muito mais do que aquilo que vemos. Não quero discutir por tolices ou por quase nada. E quero continuar a acordar e ter o teu sono ali ao lado, o teu sorriso disfarçado misturado com o meu e o teu cheiro a invadir a minha pele. Hoje de manhã, estavas com um ar tão sereno e parecias feliz. Hoje de manhã, fizeste-me acreditar que a vida tem uma data de momentos simples, com sentido e não ilusórios. E sim, eras tu que estavas ali, comigo. Nós somos uma coisa simples. Muito simples, na verdade. E hoje sinto-me a complicar, talvez por não estares aqui...

19 fevereiro, 2012

- Adoras falar, não adoras? - disseste-me.
São raras as vezes em que me lembro de te ouvir; normalmente és sempre tu a ficar com esse papel. Ouves, escutas e ficas em silêncio com as palavras a ecoarem no espaço vazio que tentamos ocupar.
Enruguei a testa e desviei o olhar, com medo que pudesses ver a vergonha chapada na minha cara.
Sempre que falo contigo, o mundo sai das minhas costas devagarinho. E a tua paciência envolve todo o meu corpo e faz-me sentir despida, mas aconchegada. Se calhar se não fosses tu, o mundo não seria tão fácil, tão leve, tão cheio. E os espaços vazios são apenas os que vão de um sorriso ao outro, do meu sorriso ao teu. Não há espaços vazios quando te beijo. E quando te beijo fecho sempre os olhos; na esperança de gravar esse momento para que, de todas as vezes que me apetecer beijar-te e não estiveres aqui, eu possa sentir-te com a mesma intensidade. Não há espaços vazios quando estou na tua pele. E tu não sabes o quanto eu gosto de estar na tua pele. E poder sentir o teu cheiro quando acordo a meio da noite, desorientada e rabugenta. Mas prefiro assim, prefiro que não saibas. E prefiro continuar a ter medo de gostar de ti. Porque gostar de ti, é mais ou menos como ter medo de te perder em cada viagem para o trabalho, ou em cada regresso a casa. Porque gostar de ti, é mais ou menos como ter medo de te perder aos bocadinhos.