Se calhar sonho demais.
19 fevereiro, 2012
05 fevereiro, 2012
Quando cheguei a tua casa, a porta já estava fechada. O som da campainha acordou-te, desceste e era eu.
- Está frio. Anda... - disseste-me.
Beijei a tua testa no elevador, mas a minha vontade era beijar o teu sorriso, com todas as saudades que ousei sentir durante estes dias. Entramos devagarinho e abraçaste-me secreta e silenciosamente.
Os laços renovam-se. As amizades renovam-se. E o amor, também. E aquilo que nos une é um pouquinho mais do que as noites que fico do lado esquerdo da tua cama. Noites inteiras a olhar-te, como se nada no mundo pudesse interromper o teu sossego, doce e tranquilo. Às vezes acordas e percebes que estou a olhar-te. Com um sorriso envergonhado, vens para ficar mais perto e voltas a adormecer. Fazemos isso vezes sem conta, porque as horas não existem quando estou contigo.
Sabes, não és a minha inspiração, mas tens sido a minha história (e eu a tua). E escrever sobre ti faz-me sentir-te mais perto. É talvez o melhor doce engano de sempre. E esse já o conheço de trás para a frente. Diz-me algo que eu, ainda, não saiba...
02 fevereiro, 2012
Às vezes acho que sou invisível, que a vida passa por mim e não me vê. Não és a minha vida, eu sei. Talvez por isso não te possa exigir tudo. Mas preciso que acredites que estou contigo, mesmo quando não estás comigo. Não és a minha vida, mas és grande parte dela. E sei que não és perfeito, mas mas não te amo menos por isso.
"Acreditamos naquilo de que precisamos, não é? Acreditamos 20, 30, 40 vezes, contra todas as evidências. Lembrava-se apenas do amor para lá dos limites, uma alucinada felicidade. Não havia maneira de deixar de querer, por isso. Mas um dia, ele disse "até amanhã" e nunca mais voltou..."
Fica comigo esta noite - Inês Pedrosa.
31 janeiro, 2012
Esta noite contei-te uma história. Eu sei que não foi a primeira vez e não que tenha sido assim tão diferente de todas as outras noites, mas apetece-me escrever sobre isso. Hoje quero que te sintas ainda mais especial. Mesmo que eu não te consiga dizer tudo o que sei. Mas às vezes falamos sem abrir a boca. E é nessas alturas que falamos melhor sobre tudo o que sentimos. Sem tirar, nem pôr. Às vezes as palavras estragam tudo. Às vezes as palavras não sentem. E sim, sentir também é uma maneira de saber. Tu, sabes?
24 janeiro, 2012
15 janeiro, 2012
Hoje quero ter um momento de cansaço. Quero chegar a tua casa e cair nos teus braços, entregar-te o meu cheiro e ficar com o teu. Quero saber se a distância te roubou as partes que mais gosto em ti. E quero investir em tudo aquilo que acredito, mesmo que isso seja a maior incerteza da minha vida. Ás vezes temos que deixar as pessoas entrarem na nossa vida, ainda que devagarinho. São elas que nos fazem ser mais e melhores. E são elas que causam uma revolução na nossa alma. As pessoas são geneticamente emocionais, tal como eu. E se acho que é inato reagirmos com o coração, também acho que 99% das vezes que o fazemos somos os tipos mais estúpidos à face da terra. A estupidez também é inata. E eu sou estúpida que chegue.
13 janeiro, 2012
É fácil saber se um amor é o primeiro amor ou não. Se admite que possa ser o primeiro, é porque não é, o primeiro amor só pode parecer o último amor. É o único amor, o máximo amor, o irrepetível e incrível e antes morrer que ter outro amor. Não há outro amor. O primeiro amor ocupa o amor todo. Nunca se percebe bem por que razão começa. Mas começa. E acaba sempre mal só porque acaba. Todos os dias parece estar mesmo a começar porque as coisas vão bem, e o coração anda alto. E todos os dias parece que vai acabar porque as coisas vão mal e o coração anda em baixo. (...) O primeiro amor ocupa tudo. É inobservável. É difícil sequer reflectir sobre ele. O primeiro amor leva tudo e não deixa nada. Diz-se que não há amor como o primeiro e é verdade. Há amores maiores, amores melhores, amores mais bem pensados e apaixonadamente vividos. Há amores mais duradouros. Quase todos. Mas não há amor como o primeiro. É o único que estraga o coração e que o deixa estragado. (...) E os nomes dos nossos primeiros amores? Os nomes doem. Parecem minúsculos milagres. Cada vez que se pronunciam, rebenta um pequeno terramoto no equador. E as mãos? Quando a mão entra na mão de quem se ama e se sente aquele exagero de volts e de pele, a única resposta sensata é o assassínio, o exílio, o suicídio. Nada fica de fora. O mundo é uma conspiração cinzenta de amores em segunda mão. Nada é puro fora daquelas mãos. O tesouro está a arder, as pessoas estão a morrer, os olhos cheios de luz estão a cegar, mas o primeiro amor é também, e sem dúvida, o primeiro amor do mundo. (...) Não há regras para gerir o primeiro amor. Se fosse possível ser gerido, ser previsto, ser agendado, ser cuidado, não seria primeiro. A única regra é: Não pensar, não resistir, não duvidar. Como acontece em todas as tragédias, o primeiro amor sofre-se principalmente por não continuar. Anos mais tarde, ainda se sonha retomá-lo, reconquistá-lo, acrescentar um último capítulo mais feliz ou mais arrumado. Mas não pode ser. O primeiro amor é o único milagre da nossa vida - e não há milagres em segunda mão. É tão separado do resto como se fosse uma primeira vida. (...) Mas é por ser insustentável e irrepetível que o primeiro amor não se esquece. Parece impossível porque foi. Não deu nada do que se quis. Não levou a parte nenhuma. O primeiro amor deveria ser o primeiro e esquecer-se, mas toda a gente sabe, durante o primeiro amor ou depois, que é sempre o último. (...) Será por isso que o primeiro amor nunca é o único? Que lindo seria se fosse mesmo. Só para que não houvesse outro.
Miguel Esteves Cardoso
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