Às vezes apetece-me escrever. Escrever sobre ti, sobre nós e sobre nada. Gostava de saber o que estás a pensar neste exacto momento. Talvez isso de pouco me valesse, poderias estar a vaguear na cabeça de uma outra pessoa, também. É preferível morrer ignorante, com a estúpida esperança de que faço parte de uma das partes que ainda não conheço de ti. Ás vezes sinto que metade das coisas que desejo são uma treta e, então, o meu Janeiro dura apenas 31 dias e não o ano inteiro. Sim, porque em Janeiro toda a gente se esforça por uma data de coisas que ilusoriamente acredita que vão durar até o ano voltar a mudar o ultimo número do seu "nome". 2013, ainda está longe. E a verdade é que ainda está tudo por acontecer.
05 janeiro, 2012
04 janeiro, 2012
2012. Nem dei pela sua chegada e o mundo não parou. As pessoas continuam iguais, apenas com mais um leque de resoluções de ano novo que não vão chegar a cumprir. Este ano, ao contrário de todos os outros, não pedi um único desejo, não brindei com champanhe, nem fiquei nervosa com a aproximação das derradeiras doze badaladas. Este ano, ao contrário de todos os outros, recebi o novo ano (ou ano novo, como preferirem) com o teu cheiro a invadir os meus sentidos, os teus braços enrolados no meu corpo e eu deitada num silêncio calmo e estonteante. 2012, em pormenores.
31 dezembro, 2011
28 dezembro, 2011
Não sei quem irá terminar o que ninguém começou. Às vezes acontece o meu corpo confundir-se com o teu, numa das noites em que, de repente, algo nos tapou um braço, uma mão, o teu cabelo castanho, protegendo o sono que tomou conta de nós. E o tempo, esse doce e silencioso, chegou devagar, aos soluços, e voltou a tomar conta de tudo. Vou adormecer, assim.
26 dezembro, 2011
Às vezes lembro-me de ti, se calhar mais vezes do que queria. O choque (que não mata, mas dói) é maior nesta época de Natal porque dizem que é "tempo de estar com quem gostamos e com quem gosta de nós". E as saudades só acontecem a quem sabe responder ao que sente. Não sei responder a tudo aquilo que sentimos. Mas sei dar-te os bons dias, puxar-te para mim e cobrir o teu sorriso (ainda ensonado) de beijos. Tenho saudades tuas, sim. Mas só um pouquinho. Por isso, hoje vou despedir-me de ti sem palavras. E pensar no beijo na testa que adoro dar-te antes de te aconchegar e sair sem dares conta. Já é quase amanhã, eu sei, mas parece que nunca mais chegas.
23 dezembro, 2011
19 dezembro, 2011
- Mas tu não poupas palavras: tu escreves. Todas as noites gastas uma hora a escrever um diário nesse teu caderno...
- Escrever não é falar.
- Escrever não é falar.
- Não? Qual é a diferença?
- É exactamente o oposto. Escrever é usar as palavras que se guardaram: se tu falares de mais, já não escreves, porque não te resta nada para dizer.
Miguel Sousa Tavares, No Teu Deserto.
18 dezembro, 2011
Sou igual à gente que chega e toma um café apressado. Vejo-te ao longe e nunca sei se os teus sentidos me aquecem ou gelam. O teu olhar não me diz exactamente quem tu és e eu procuro as marcas que deixas no meu corpo e peço que elas sejam sempre tuas. Sabes, conheço partes de ti, apenas partes. Sei exactamente quando não queres que eu faça perguntas ou quando precisas que te faça rir. Essas partes são suficientes, têm sido suficientes, mesmo quando me confundem da cabeça aos pés. E eu só quero um café e um amor. Quentes, bem quentes, por favor.
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