
certezas que são ditas sem palavras, como se o teu silêncio ecoasse no meu corpo.



sei que não sabes quantas noites de sono me deves. e por mais que queira acreditar, acho que também não sabes o quanto me custa não saber de ti. tal como te segredei no outro dia, o instinto tem morto bocadinhos de nós. e eu tenho guardado esses bocadinhos, sabes porquê? porque a nossa história é muito mais que isto (isto, que nem sequer sei intitular). não me quero convencer que histórias-como-esta têm pontos finais, só vírgulas. e colocamo-as onde queremos ou onde são precisas. precisaste desta vírgula num momento em que eu dava tudo para que ela não existisse. e acontece que, a vírgula foi colocada. eu estou de um dos lados, tu do outro. e, irremediavelmente, continuamos de mãos dadas, como se o mundo soubesse de nós. e, por muito longe que o vento levasse estas palavras, elas iriam ficar suspensas num céu frio. descobri que afinal o mundo não sabe nada de nós. e eu, cada vez mais, sinto que não sei de ti, e consequentemente, sei um bocadinho menos de mim. hoje, é apenas mais uma noite de sono que me ficas a dever. desfaz esta vírgula, amor. desfaz esta vírgula...
era tão mais fácil se me dissesses que posso esperar por ti. ficam palavras pendentes a flutuar em número incontável na minha cabeça. e o tic tac do relógio ouve-se a noite toda, sem que eu me possa abstrair do barulho ensurdecedor por ele produzido. era tão mais fácil se dissesses que posso continuar a gostar de ti. no peso e medida certa, como tanto me pediste. não temos que nos perder aos bocadinhos. era tão mais fácil se não nos perdessemos aos bocadinhos.


dizem que é a intuição que fala quando devemos lutar por alguém ou desistir dessa pessoa. se calhar sou a única mulher que não tem intuição, mas sim instinto. e devo dizer a mim própria que agir por instinto não me deixa chegar muito longe. e sim, tenho perdido imensa coisa pelo caminho. e sozinha, sozinha não quero ir.
provavelmente quando digo que me fazes falta, não tenho consciência das minhas palavras. fazes tudo aquilo que ninguém faz e a verdade é que algumas outras pessoas fazem falta. é como se contigo vivesse coisas diferentes todos os dias. e sabes, nem sempre essas coisas são boas. descobri que amar é correr riscos. e de cada vez que ouso sentir a adrenalina a correr por todo o meu corpo, acontece que essa adrenalina não dura mais do que um fugaz beijo ou um abraço de despedida e não de chegada. pensar em ti 24h por dia é um exagero, estou sempre a dizer isso a mim própria. quem disse que adiantava? provavelmente, vou continuar a dizer que me fazes falta, quando me fazes tudo o que as palavras não dizem.