07 setembro, 2009

podia dizer-te que é para-sempre. mas as coisas quanto mais para-sempre se dizem, mais díficil é senti-las. prefiro deixar-te um bilhete com a palavra adoro-te, porque isso sim é uma certeza. prefiro chamar-te baixinho e saber que me vais ouvir. prefiro contar-te os meus segredos e saber os teus, do que guardá-los a sete chaves ou contá-los aos anjos antes de dormir. prefiro dizer-te que te quero assim, da forma como te dás. e poder sentir-me em cada pedaço do teu céu. talvez, um dia, em vez de um adoro-te te escreva um para-sempre.

04 setembro, 2009

tento escutar no vento algo que me sopre ao ouvido a tua voz. deixa-me continuar a gostar de ti, como nunca gostei de ninguém. deixa-me continuar a acordar e ter-te ali ao meu alcance e se não for ali que seja noutro lugar. deixa-me sonhar contigo e acordar cansada. deixa-me ver-te da janela do autocarro ainda que seja só uma miragem. e se puderes, faz o mesmo comigo, que vou invadir a tua vida, em cada bocadinho que me pertencer. apetece-me chorar de cada vez que tiveres que partir, porque nunca sei se voltas. apetece-me abraçar-te em cada regresso teu e ficar assim, como peças de puzzle perfeitamente encaixadas. e no fim, quando estivermos juntos-para-sempre, vou contar-te todas as vezes que me entristeci por não sentir o teu cheiro, o teu sabor, as tuas lágrimas e o teu riso abafado sempre que gozas comigo.
há amores assim, que nunca têm início e muito menos têm fim.
chamam-lhe sexto-sentido. não sei se faz sentido chamar-lhe isso. ela sente-se inexpressiva, sem conseguir dizer o que sente, como sente e porque sente. sabe apenas que as ondas do seu cabelo desapareceram, como um corte radical com a vida. gosta particularmente de andar perto das dúvidas, como se elas lhe fizessem doer. e as respostas, essas que por vezes teimam em fugirem-lhe das mãos, vão flutuando por cima da sua cabeça. brinca sempre com a vida, para que a vida brinque também com ela. e ele, lembra-lhe o céu e tudo o que se pareça.
sonhos colados nas palmas das mãos. vento a bater na cara. paz a fazer cócegas no espírito. seria perfeito, se ela soubesse voar, sozinha.

03 setembro, 2009

atrasar-se para dizer um adoro-te. esquecer-se de roubar um beijo antes de adormecer. estar cansado para conversar, mas acima de tudo para ouvir. sentir-se oco quando estas coisas não lhe acontecem. as palavras estão na ponta da língua, mas apenas um vácuo enorme se faz ouvir.

02 setembro, 2009

podiam passar anos, ela iria sempre sentir que nuns momentos preferia pausa, noutros faria por andarem devagar, e também aconteceriam aqueles que deveriam disparar à velocidade da luz. teve que, simplesmente, aceitar que a sua vida é um play. e foi assim que viu os seus dias passarem, com a brisa do vento e o barulho dos seus passos a estamparem-se nos sonhos que vinham embrulhados em papel vegetal côr-de-pérola.
tinha-lhe dito que se ela voltasse àquele lugar iria lembrar-se dele. como se fosse possível esquecê-lo em qualquer outro local, em qualquer outro momento. concluiu que, independentemente do número de vezes que fizesse tempestade em vez de sol, iria sentir-lhe o cheiro, como se se tratasse da mesma distância. porque por mais que tentasse, ele deixou a sua marca tanto no seu corpo, como no seu tempo e espaço. e ela ficou feliz, por poder senti-lo mesmo sem ele existir ali, naquele momento. até que um dia olhou para o seu lado e ele, estava lá.

01 setembro, 2009


a culpa não é necessariamente de quem magoa. magoar os outros nunca está nos planos de ninguém. e as palavras, tal como os gestos, têm um poder irreal, que atravessa a pele e rasga por dentro. se eles se magoam, é porque não têm outra hipótese. e, na maioria das vezes, a fuga é essa hipótese. da noite para o dia.
só lhe apetece 'disto'. e, provavelmente, tê-lo perto de si, sentir-lhe o cheiro e poder tocar-lhe. provavelmente digo, porque nunca se sabe o que vai dentro de uma história-de-amor. antes pudesse sabê-lo que escreveria um livro. não sobre eles, mas sobre nós e a nossa própria história.